quinta-feira, 20 de setembro de 2007

A última flor do Lácio

Lácio era um jardineiro dedicado, experiente. Cuidava de grandes jardins com roseiras, margaridas, dentes-de-leão, várias plantas ornamentais, sem esquecer, é claro, das Marias-Sem-Vergonhas. Lácio então assumiu um enorme jardim, que exigia sua dedicação exclusiva a ele. Quando chegou, se impressionou com uma coisa: haviam 3 roseiras em situações bem distintas. Uma estava bela, com rosas grandes e vistosas. Outra, estava razoável, não era aquele espetáculo, mas não podia-se dizer que estava mal cuidada. Porém a última estava em estado lastimável. O dono do jardim havia recomendado inclusive, que ele retirasse aquela roseira e plantasse uma nova. Lácio se recusou! Ele nunca desistiria daquela roseira.

Então Lácio pôs-se a trabalhar. Se dedicou bastante às suas roseiras. Adubava, regava, conversava com elas! Tratava-as com muito carinho. Só que interessantemente o jardineiro não adubava, nem regava a roseira mais fraca diferentemente da roseira mais vistosa. A roseira mediana, logo ficou bonita e vistosa como a outra. Porém, aquela mais fraca permaneceu assim por um longo tempo. Mas Lácio não desistia e não mudava o tratamento. Todos se admiravam com o cuidado que Lácio tinha por suas plantas.

Eis que um dia a roseira mais fraca respondeu! Nela brotaram muitas folhas verdes e surgiram vários botões florais que logo se desenvolveram em belas rosas. Pronto! Aquele era um jardim afortunado! Porém, justamente nessa semana Lácio recebera a notícia de que seu patrão havia vendido a casa, o novo dono se mudaria em um mês e Lácio não mais cuidaria daquelas roseiras as quais dedicou tanto carinho.

No mês que se seguiu, o último de Lácio com aquelas roseiras, sua dedicação era ainda maior para com elas. Ele trabalhou, adubou, regou, cuidou das suas roseiras como nunca havia feito. Lácio, que nunca desistira de nenhuma das suas plantas, as preparava para sua despedida. Queria deixá-las impecáveis. Queria entregá-las todo seu carinho, seu cuidado. Ele tinha consigo que aquela num era a ultima vez que veria suas roseiras, pois sempre que passasse por aquela rua, daria uma olhada através das grades do portão para conferir como estariam suas plantas.

No dia da entrega da casa ao novo dono, e o último dia de Lácio no jardim, muito intrigado, seu até então patrão o questionou: “Lácio, há um mês você sabe que não estará mais aqui. Que um novo proprietário tomará conta de tudo. Ninguém sabe o que será desse jardim, se ele o destruirá ou se ele o manterá. Mas mesmo assim você cuidou deste jardim como nunca! Você não desistiu em momento algum de qualquer planta! Porquê isso, Lácio?” E Lácio, sem muito pensar respondeu: “Não criamos nada nesse mundo para nós próprios. Tudo o que vem ao mundo, ao mundo pertence! Meu trabalho aqui é somente cuidar das coisas do mundo, da natureza, e entregá-las ao seu dono, o chefe maior. Ele sim sabe o que fazer com tudo. Eu não cuidei das flores para mim. Eu não cuidei das flores para você. Eu as criei, e cuidei com todo carinho para que elas conquistassem seu espaço!” E assim Lácio se foi...

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Queixo sobre o ombro e o olhar pra trás


Um coruja pousa em minha janela. Ela mira seus olhos cor de âmbar sobre mim. Eu, sempre sentado em minha poltrona, admirando o biodomo criado por mim. Eu que busquei a auto-suficiência. Eu, a independência. Eu aqui e aquela maldita ave que não tira os olhos de mim. Minha decadência não me permite levantar e pregar-lhe um susto para que nunca mais volte! Ave agourenta!

Meu casulo se rompeu. Minha bolha estourou. Estou a mercê do mundo. Você quebrou meus estigmas. Você trouxe a mim uma esperança. Ou melhor: você quebrou minha fortaleza. Eu te enterrei! Fiz questão de bater freneticamente com a pá sobre terra que cobre seu sepulcro, para que nunca mais saia de lá! Enterrei contigo todas as rosas, todas as lágrimas, beijos e abraços. Está tudo lá, os sentimentos, sob a terra onde você apodrece no esquecimento e na ignorância.

Pois nessa noite, mais uma vez, com âmbar nos olhos este fantasma vem me assombrar. Não! Não é a ave agourenta... Esta só trouxe o aviso, a lembrança... O vento sopra contra as janelas provocando assovios fantasmaglóricos. Escape, suma, fuja de mim! Um mistério a ser contemplado... És tão cruel em tudo que fazes. Mas eu acredito, sim, eu acredito em ti... Acredito??? Venha! Traga suas armas! Nunca me levarás vivo...

Com toda força do que é verdadeiro, não há nada que eu possa fazer? Não posso continuar desenterrando flores do seu túmulo. O pesadelo continua... O pesadelo não pára, assim como o vento que castiga as janelas. E eu, aqui na minha poltrona, na penumbra, admiro o nada...

Eu superei a profundidade que havia em seu peito. Resisti ao seu cerco do seu silêncio. Aproximei do paraíso só pra te agradar. Pra tocar a flor que não posso ter...

sábado, 10 de março de 2007

O começo, o fim e a esperança.

Ele olhava de uma canto ao outro. De repente postou suas mãos frente ao seu rosto. Olhou as palmas das mãos. Virou-as e ficou observando o dorso delas, os dedos e unhas. Seus olhos seguiram pelos braços, peito e pernas. Procurou um espelho. Ficou observando seu rosto no espelho por alguns instantes como se procurasse alguma coisa em si.

Concluiu então que ele era real, vivo e normal. Não lhe faltava pedaço algum. A que ponto ele chegara?! Tudo que ele queria era um amor. "Será que Deus se esqueceu de mim?", pensou.

Voltou então, cambaleando ao seu leito, arrastando, com certa dificuldade, o suporte que mantinha seu soro. Notou um pequeno refluxo de seu sangue na mangueira que levava o soro, bem junto a agulha que perfurava uma veia no dorso de sua mão esquerda.

Sentou-se na cama, levantou a cabeça e parou o olhar nas gotas do soro que caíam, uma a uma, assim que saíam da embalagem plástica antes de ganhar acesso à mangueira. Tudo aquilo lhe parecia o começo do fim da vida.

Ele, sempre com medo da morte. Ele, que sempre convivera lado a lado com a morte. Ele, sempre correndo da morte. Ele, que sonhava com um amor. Ele, que ainda mantinha a certeza de que seu amor viria. E com esse amor viveria até o fim, sem saber que o fim já vai chegar...

Deitou-se e mirou o teto branco. Seu leito tinha o primeiro terço numa inclinação de uns 45 graus. Sentiu um vento frio entrando pela manta que o vestia. Puxou o lençol branco para cobrir seu corpo.

Estava cansado daquela fuga. Ficou imaginando como seria o céu. Estaria lá, portanto, o seu amor? Uma forte dor percorreu suas entranhas. "Quem é maior que o amor?" Sua dor aumentava. Apertou os olhos, mas não teve forças para contrair seu rosto. "Onde quer que esteja, me abraça forte agora!" Era chegada a sua hora. Seus olhos relaxaram. Sua façe era serena. O soro ainda gotejava para a mangueira. Não havia mais dor, não havia mais frio. Tudo ficou quieto... Estaria ele agora com seu amor?

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Murilo, o "tree-hugger"


"A vida é triste e solene. Somos deixados num mundo maravilhoso, encontramo-nos aqui com outras pessoas, somos apresentados uns aos outros e caminhamos juntos durante um tempo. Depois nos separamos e desaparecemos tão rápida e inexplicavelmente quanto surgimos"

Jostein Gaarder

domingo, 4 de fevereiro de 2007

SEJA UM IDIOTA

"A idiotice é vital para a felicidade. Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado?
Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins. No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota!

Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.
Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto. Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça? hahahahahahahahaha...

Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?
É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar? Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa. Dura, densa, e bem ruim. Brincar é legal. Entendeu? Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar
descalço, não tomar chuva. Pule corda! Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.

Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável. Teste a teoria. Uma semaninha, para começar. Veja e sinta as coisas como
se elas fossem o que realmente são: passageiras. Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e
transmitir isso adiante ou sorrir...
Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração! Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?

'A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche'"

Ailin Aleixo

Simples I

Confesso a Deus e a todos que peco e pequei, com pensamentos e palavras, atos, ações e omissões...

O simples fato de pensar já é pecado... O simples fato de fazer é pecado... Não fazer também o é... Não critico aqui a lei de Deus nem da Igreja. Mas confesso que não entendo o porquê desse livre arbítrio que me faz errar tanto! Esse livre-arbítrio que faz com que tantas barbaridades no mundo sejam cometidas.

Ó Deus querido, que nos ama tanto... Tanto que nos deu seu filho para nos salvar! Por que esquecestes de nos tirar esse tal livre-arbítrio? Por mais que nossos pecados sejam perdoados, porquê não nos tirastes a capacidade de pecar, de errar? Quem em sã consciência irá tomar o caminho errado sabendo qual é o certo?

Alguém poderia simplesmente me dizer qual é o caminho certo?

Simples II

Se a vida é tão boa assim, porquê algumas pessoas se suicidam? Egoístas e covardes! Altruístas somos nós que temos a coragem de enfrentar as coisas do mundo...

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Improviso

Bem, são 5 hs da manha e estou aqui no computador. Resolvi improvisar um texto, ao contrário dos demais, que apesar de serem uma merda, são primeiro pensados, passados pro papel e então publicados aqui.

Estive pensando (por incrivel que pareça, eu penso), o que vale mais: uma vida baseada em "idéias", em "sentidos" ou na "razão"?

Há quem diga que as idéias são inatas. A idéia do que é o amor, por exemplo (já que gosto de falar tanto nesse sentimento!), viria primeiro do que o amor. Seria isso possível? Seria isso verdadeiro? Bem, digamos que o amor de um filho para seus pais e familiares possa acontecer. Entretanto um jovem ouve dizer sobre e tenta advinhar o que é o amor por outra jovem muito antes de sentí-lo. Então a idéia do amor veio antes do sentido, do sentimento do amor. (talvez por isso tantas pessoas se decepcionam com o primeiro amor! Cuidado!). Prestem atenção no que eu digo: a "idéia" do amor aparece na vida de uma pessoa muito antes de esta pessoa sentir o que é o amor! Isso serve para qualquer outro sentimento! Ainda mais atualmente, pra esses meninos criados em apartamentos na base do Danoninho, a idéia de uma "vaca", um "porco" ou uma "galinha" vêm muito antes deles saberem e terem contato com o que realmente é uma vaca, um porco ou uma galinha! Portanto não confunda a "idéia" de um sentimento com o sentimento! Penso que você pode até "saber" que o amor é isso ou aquilo mas, enquanto não sentí-lo não saberá o que ele realmente é. E digo mais: a maioria das pessoas acham que não poderão viver sem a pessoa "amada", mas isso é pura precipitação! Ninguém conseguiu até hoje me descrever ou conceituar o que seria um amor eterno e incondicional!

Uma vida baseada em sentidos também é algo bem interessante. Eu ouço, eu vejo, eu toco, eu cheiro etc. Baseado em tudo isso eu crio uma imagem e possivelmente um sentimento positivo ou repulsivo. Já não falamos anteriormente aqui sobre a importância de um olhar? Sobre o peso de um abraço bem apertado? Além de um bom papo e a química do cheiro? Então, isso quer dizer que os sentidos (visão, audição, olfato, tato etc) estão imperando acima de tudo. Ou você realmente acha que um papo (que eu considero receita de bolo e poucos sabem ser criativos e fugir dela) de 15 ou 30 minutos te faz conhecer realmente a pessoa com quem você está lhe dando? Isto são sentidos que imperam e digo mais, imagem é tudo! É só não dizer bobagem que o resto está garantido!

Razão... Como é difícil falar da razão... Ela sempre nos diz o que fazer e o que não fazer. Geralmente notamos nossa razão quando ela nos diz o que NÃO fazer. Nem sempre a seguimos. E nem sempre nos damos bem... Mas também, nem sempre nos damos mal. Portanto...

Enfim, quando não sabemos dizer o que é mais importante, sempre recorremos à frase: "devemos então buscar o equilíbrio entre estas coisas". Resumindo, nesse texto improvisado, novamente não chego a conclusão nenhuma, mas deixo um novo questionamento no ar...

Pra quem tem paciência de ler e acompanhar isso, delicie-se!

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

O verdadeiro?

Se eu perguntar a uma pessoa o que é um cachorro, certamente ela saberá me dizer. E é incrível como existem diferentes tipos de cachorros! Das mais variadas raças, tamanhos etc e tal. A coisa é tão estranha que como é que poderíamos dizer que um São Bernardo ou um Fila são da mesma espécie que um Pincher? Imagina a merda que seria do cruzamento entre esses tipos de cachorros!? Mesmo assim, apesar de todas as diferenças, todos sabem que são cachorros.

Além de cachorros, todos sabem identificar o que é um gato, um lápis, uma mesa, um carro... Coisas concretas que fazem parte do nosso dia a dia. Falemos então de coisas abstratas: de sentimentos. Sim, mais uma vez sentimentos!

(Aqui faço um parêntesis muito mal-educado: o texto é meu, o blog é meu e eu escrevo sobre o que eu quiser até que EU me canse do assunto. Por enquanto eu acho que ainda não explorei o assunto o suficiente!)

(Voltando) Todos sabem o que é o frio, todos sabem o que é sentir frio. O mesmo serve para o calor, pressão etc. Bem, existem pessoas mais resistentes ao frio, ou seja, não sentem frio com facilidade. Pense bem na problemática criada até agora: embora todos saibamos o que é um cão cão, sabemos que existem enormes diferenças entre eles. Embora todas as pessoas saibam e já tenham experimentado o que é passar frio, existem pessoas mais sensíveis e outras mais resistentes a este.

Pois bem: sabemos o quanto gostamos de uma pessoa. Sabemos quando sentimos falta dela. Sabemos que às vezes sofremos por sentir falta de uma pessoa. Mas sabemos quando amamos essa pessoa? Tipo: acontece alguma coisa e a partir daquele momento você passa a amar a tal pessoa?

O que quero dizer é que sabemos tanta coisa mas não sabemos o que é o amor! Sentimos tantas coisas mas não sabemos identificar se aquele sentimento é o amor! Em um texto anterior eu havia mencionado que o amor seria "olhar nos olhos de uma pessoa e saber que sem ela sua vida não terá mais sentido"... Mas veja quantas pessoas já passaram por isso: fizeram "juras de amor" e hoje vive cada uma num canto. Não dificilmente já devem até ter encontrado um novo "amor". Sabe de uma coisa? As pessoas que mais vangloriam a palavra amor, que são contra a banalização do "eu te amo", são as que mais banalizam essa expressão.

Termino esse texto sem conclusão alguma. Porém, termino com uma reflexão. Mantenho a ideia de banalização do "eu te amo" e pensando que amar nada mais é do que gostar de uma coisa ou uma pessoa a ponto de sentir falta da sua presença. Veja só: amar não é tão difícil assim! Não exige tantos pré-requisitos (tais como, "nem nos conhecemos direito" ou "só nos conhecemos há 3 meses, como você pode dizer que me ama?").

Por fim questiono: seria o amor verdadeiro somente aquele que Deus tem por nós e uma mãe tem por seus filhos? Existe outro tipo de amor verdadeiro e incondicional?

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Após o primeiro olhar


Um segundo! É o tempo necessário para engasgar e esquecer a segunda coisa que seria dita depois do "oi". Segundos antes, minutos, horas, sei lá, o tempo voa, estava tudo programado. Tinha até um segundo plano. Segundo o combinado, veio o "oi", e a segunda coisa foi esquecida, após aquele primeiro olhar, seguido de um primeiro sorriso... E o segundo plano tampouco...

Segunda chance? Talvez. Mas só no segundo dia. Chegou. Aos 45 minutos do segundo tempo. Geralmente é no segundo tempo que o time vira o jogo! Mas não foi dessa vez. Segundo encontro, a mesma coisa. Esqueceu uma coisa! Volta lá, pela segunda vez. Não, não... Sem muito sucesso.

Mais uma chance. Pena que esperou a segunda dança... Sequer teve chance de se aproximar. Segunda-feira! Nova esperança. Tudo ia bem, quando aparece uma segunda pessoa no singular. Segundo consta, nada de mais. Mas o suficiente para assumir um papel secundário nessa peça. Isso, se tiver muita sorte! Se for segundo a vontade de Deus. E segundo dizem por aí, o segundo lugar é o primeiro dos derrotados!

Como fazer para ter um segundo olhar? O segundo sorriso? O segundo abraço? O primeiro beijo... Como fazer para voltar no tempo e fazer tudo certo? Parar o tempo? Quem nunca sonhou com isso? Ler os pensamentos... Quem nunca quis saber do futuro? Se é ela?! Quem será ela?! Quando ela vai aparecer na minha vida?! Será que já apareceu e eu num percebi??? Mas, e quando ela vai fazer parte da minha vida? Cadê esta que Deus e o destino estão guardando para mim? Cadê você que conseguirá arrancar essa espada de um coração de pedra?! Só resta esperar... Estou cansado de esperar! Eu vejo a vida passar pelos meus olhos. Tempo, tempo, tempo... Horas, minutos, segundos. Duas décadas já se passaram. Quantas mais hão de vir? Até quando ficarei em segundo plano?

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Falta

Falta na área é pênalti. Pênalti, penalidade máxima A falta é algo não permitido, cabível de punição. E como dito acima, dependendo do local a punição é máxima.

No caso do esporte existem dois agentes: quem faz a falta e quem recebe a falta. E incrivelmente isso não pode ser recíproco. Quer dizer, pode até haver casos especiais em que o jogador faz e recebe a falta ao mesmo tempo, mas esse é um caso especial.

Na nossa vida muita coisa nos faz falta. Não pense somente em amores ou bens materiais. Eu por exemplo sinto falta de alguns sentimentos. Vários sentimentos. Sinto falta de pessoas e do que elas representam pra mim. E sabe? Há quem sinta falta das coisas e pessoas mais estranhas. Ops: favor não confundir esse "estranho" com o espanhol "extraño", que significa, coincidentemente, sentir falta.

Punições? Será que deveríamos pensar em punições para essas faltas? Sei não, mas embora o primeiro pensamento que possa vir à cabeça seja de perdão (ou seja, a não punição a essas faltas), sugiro que cada caso seja analisado!

Mas ainda falta alguma coisa! Entenderam? Falta no sentido de não ter, ou ter perdido! Do inglês " I miss you". Acho que com isso fechamos o ciclo. É impossível sentir falta de algo que não temos ou não perdemos, mesmo que temporariamente. Ou seja, só nos falta o que não temos! Assim parece óbvio, não?! Mas talvez esse seja o jeito mais fácil de explicar o que é saudade, palavra que, se não me engano, existe somente em português. E vou mais longe! Ouvi dizer que em algum lugar Platão (aquele grego de trocentos anos antes de Cristo) sugeriu que o "amor é tudo aquilo que te faz sentir falta". A melhor definição de todas até agora!

Tem como se amar algo/alguém que não te faz falta? Que não te deixa saudades em algum momento? Bem, cabe a cada um saber como punir ou não essa falta, e como puní-la. Por muito tempo venho observando que as pessoas têm dado uma pejoração, um grande poder ao "eu te amo". Pois a partir de agora, até que me provem o contrário eu sou a favor da banalização do "eu te amo"! E quem quiser que invente uma nova expressão para dizer que não vive mais sem a outra pessoa... (Sugiro que usem algo como simbiose! Imagine o rapaz dizendo para a moça: " você é a minha simbiose", ou "eu sou o fungo que faltava na sua alga", ou até " que líquen lindo nós formamos"!).

Com isso eu não dou por encerrado a busca pelo conceito de "amor". Mas acho que esse sentido é mais lógico. Agora, quanto a fórmula do amor, já referido em textos anteriores, por enquanto não me atrevo a pensar ou pesquisar sobre o assunto.

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Um Novo Jeito

Ligo num telefone mas não sei o que dizer. Atendo o telefone mas o que ouço não tem nada a ver. Presencio discussões e não consigo entender.

Valores, prioridades, amores... Cu! Cada um tem o seu. Engraçado como cada pessoa encara a realidade. Engraçado a reação das pessoas a palavras tão conhecidas. Engraçado como cada pessoa leva a vida.

O que é a vida? Como viver? Por que viver? Engraçado como as pessoas nunca se perguntam issoe se esquivam de tais questionamentos dizendo que é papo de suicida.

Engraçado como de uma hora pra outra o mais fácil se torna dificil e o mais difícil se torna mais fácil. De qualquer maneira, o mais difícil é o próximo passo! Mas as vezes existem tantos passos a serem dados que o mais difícil é saber qual deles é o próximo.

Será que eu tenho um jeito novo de viver, diferente do "normal" do resto do mundo, ou será que eu preciso de um novo jeito de viver? A resposta eu já sei...

sábado, 30 de dezembro de 2006

Muro Baixo

Coração de pedra, peito de aço, olhos de águia. Pessoa fria, inatingível, inabalável. Um muro alto que protege contra tudo! Nenhuma flexa o atinge. Fortaleza, peito estufado, queixo erguido.


Coração de merda, peito vazio, olhos míopes cheios de lágrimas. Peossoa humana, atigível e abalada. Um muro baixo, que nada protege. Ainda assim nenhuma flexa o atinge.

Dor por alguém que partiu, dor por alguém que traiu, dor por alguém que se foi, dor por alguém que agrediu, dor por alguém que decepcionou... Mas, dor por alguém abstrata??? Dor por não ter um amor??? Sofrer por quem? Ser feliz com quem?

Quem partiu? Quem traiu? Quem se foi? Quem agrediu? Quem devepcionou? Quem é esse alguém que não conheço, que não fez nada pra mim, mas já me faz sofrer?

Ah Sr. Tempo, se eu te pego...

(alguém já procurou da onde vem o nome Murilo???)

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Conceitos


Na biologia usamos vários conceitos. Um dos mais populares é o conceitode espécie. Houve um tempo em que diziam que seres da mesma espécie eram seres que se cruzavam e geravam descendentes férteis. Sempre davam o exemplo do cavalo com a mula que gerava o burro que era infértil (bem, posso ter trocado os animais aí porque eu nunca soube a diferença entre burros, jumentos e mulas). Enfim, todo esse conceito é pura balela! Com as plantas o que rola de troca-troca que gera descendentes férteis é uma festa! Hibridação, variedade de espécies etc. A coisa é tão feia que ninguém sabe dizer exatamente onde está o limite entre uma espécie e outra! Resumindo tudo isso: conceito de espécie não existe! E pronto e acabou!

Muito se fala sobre amor e ódio. Dê uma pausa em sua leitura e formule mentalmente o que você entende pela palavra "amor". Pronto? Pense um pouco mais... Agora dê mais uma outra pausa e pense no que você entende por ódio. Façamos uma terceira pausa e relacione amor e ódio.

Fui ao dicionário e procurei o significado de amor. Lá dizia que o amor é uma "viva afeição que nos impele para o objeto dos nossos desejos; inclinação da alma e do coração; objeto de afeição; paixão; afeto".

Aproveitei e procurei então por "paixão", já que parece ser considerado um sinônimo. Tava lá "sentimento excessivo; amor ardente; afeto violento; entusiasmo; cólera; vício dominador; alucinação; sofrimento intenso e prolongado".

Bingo! Considero o amor uma "cólera", uma "alucinação", um "sofrimento intenso e prolongado"! Repare também o uso de palavras negativas como "sentimento excessivo" (que serve para o ódio também), "ardente", "vício". Palavras que trazem, de certa forma, uma negatividade.

Segundo o dicionário também ódio seria "aversão; raiva; rancor profundo; antipatia; repulsão; horror".

Eu sinceramente acho q amor e ódio estão ligados, intimamente ligados. Estão muito próximos. Pense que muitas das pessoas mais odiadas por uma pessoa, um dia foram amadas por esta. Pense no quanto é mais fácil se odiar alguma pessoa que se ama do que uma pessoa que você sequer notava. Talvez porque a pessoa amada tem um potencial de decepção muito maior, mas não quero entrar nessa discussão.

Portanto eu digo e repito: o amor está próximo do ódio e o amor não é o contrário do ódio! Elie Wiesel (aproveita que você está na internet e vai procurar saber quem é esse cara!) considera a indiferença o oposto do amor. Perfeito! Sempre achei que a indiferença machuca mais que o revide! Sempre achei q ganhar as costas de uma pessoa dói muito mais que um tapa!

Leonardo da Vinci dizia que "as mais lindas palavras de amor são ditas no silêncio do olhar". Repare que quando se fala em amor, fala-se muito em coração. Acho que é hora de refletirmos e definirmos o que realmente é o amor para nós. Amor, paixão, ódio, coração, olhar... Confundimos muitas coisas, misturamos, esquecemos coisas importantes. Coração, olhar, peito, nó na garganta, pernas bambas, pulso, cabeça, o corpo inteiro, a alma, tudo faz parte do amor, do ódio e da indiferença. É preciso ter muita coragem para se dar as costas para alguém. Enfim, para quem até agora só pensou em vazio no peito e coração apertado, deixo aqui um trecho de um romance de Bernard Cornwell que reforça as palavras de da Vinci:

"É possível olhar nos olhos de alguém e de súbito saber que a vida será impossível sem eles. Saber que a voz da pessoa amada pode fazer seu coração falhar, e que a companhia desta pessoa é tudo que sua felicidade pode desejar, e que a ausência dela deixará sua alma solitária, desolada e perdida..."

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

A Porta

A porta está fechada. Porém ela pode ser aberta a qualquer momento. A porta foi feita para separar o que está dentro do que está fora. Muita coisa já passou por essa porta. Muita coisa já saiu por essa porta. Saiu para nunca mais voltar. Saiu, sumiu... Saiu e disse "tchau", "até logo"ou "adeus". Ou saiu sem dizer nada.
É educado bater na porta antes de entrar. Te dá o direito de escolher o que entra pela porta ou não. Muita coisa entra pela porta sem bater. E sai sem dizer "tchau".
Muita coisa sai dizendo "tchau" sem saber que é um "adeus". As coisas passam. Entram e saem. Entram sem saber se vão ficar, saem sem saber se vão voltar.
Assim é a porta... Ah, se ela pudesse me dizer tudo que já passou por ali. Se ela pudesse me dizer tudo que já ouviu.
Mas a porta agora é uma porta velha e empenada. Já passou por algumas reformas. A porta por onde passou muita coisa. A porta que é de madeira, que já foi árvore, que já foi vida. A porta tem vida.
E um dia, por essa porta velha e empenada, por onde várias coisas já passaram, passará um encanto. E desse dia em diante a porta, a porta velha, nunca mais será a mesma. E o fim dessa porta poderá ser o começo de uma nova porta.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

Carta ao Papai Noel

Querido Papai Noel,

por favor, me dê muita alegria e muita independência intrínsica e extrínsica para meu humor. Isso não deve ser muito caro, mas é tudo que peço. Estou realmente cansado desses meus conflitos e de depender da "lua" (entenda-se serotonina ou pessoas) para ter um bom dia. PAZ, eu quero PAZ!

O Vencedor (Los Hermanos)

Olha lá quem vem do lado oposto
e vem sem gosto de viver
Olha lá que os bravos são escravos
sãos e salvos de sofrer
Olha lá quem acha que perder
é ser menor na vida
Olha lá quem sempre quer vitória
e perde a glória de chorar
Eu que já não quero mais ser um vencedor,
levo a vida devagar pra não faltar amor

Olha você e diz que não
vive a esconder o coração

Não faz isso, amigo
Já se sabe que você
só procura abrigo
mas não deixa ninguém ver
Por que será?

Eu que já não sou assim
muito de ganhar
junto às mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
só pra viver em paz.

Imortal


Pra quê escrever sobre sentimentos? Mas bem, se é pra escrever, vou escrever sobre o que mais? Narrar que o “churras do fds foi irado?” Ou que “pô, fiquei bebaço na balada de ontem?” Podemos, também apresentar nossa popularidade mostrando a cada dia uma foto nova com uma pessoa nova!
Droga! E o que está por trás de tudo isso? A gana e o interesse de auto-afirmação ou de auto-promoção.
Voltemos àquela velha filosofia que nos diz, se não me engano, que uma vida para ser completa a pessoa tem q fazer um filho, plantar uma árvore e escrever um livro.
Bem, fazer um filho parece fácil. Nunca vi uma sociedade tão empenhada em obter sempre um alto sucesso reprodutivo. Não estou dizendo que ta todo mundo doido por aí pra arrumar filhos. Mas posso afirmar que 99% dos nossos esforços é por vaidade, ou algo ligado a ter um grande sucesso reprodutivo. Mesmo que para isso seja necessário tentar transformar um Gol numa Ferrari com um trio elétrico embutido. Tudo é válido para se conquistar o sexo oposto.
Quanto a plantar uma árvore, nunca foi tão fácil! Todo dia tem uma campanha de “Plante sua árvore”, ou “Ajude a reflorestar a margem do Rio Fulano de Tal”. Nessa época de Natal tem até shopping center fazendo isso pra você!
Escrever um livro é um problema. Mas vamos simplificar isso! Vamos aceitar que em vez de livros a pessoa deixe um álbum de fotos, daquela viagem pra Porto Seguro, ou de um carnaval qualquer. Para o conteúdo dessas tais pessoas, um álbum de fotos as descreve muito mais do que qualquer palavra.
Chegamos a um confronto típico,”clichêzístico” e cansativo: imagem x idéias. Quem tem imagem tem braços, pernas, músculos, rebeldia, coragem etc. E quem tem idéias, simplesmente as têm. Alguns passam para o papel. Outros as deixam espelhadas por aí, uma hora alguém capta. Mais algumas são passadas adiante, de boca em boca, ensinamentos.
A busca pela imortalidade não está num remédio, numa cirurgia, num hospital. Não está em um elixir, nem numa lâmpada mágica.
Então, estaria essa imortalidade no filho criado por você? Oh, sim. Sangue do seu sangue! Educado para ser um semelhante! Mas veja o curto período dessa sua imortalidade. Pense: o quanto você conhece dos seus bisavós, tataravôs, etc. Então não parece ser muito eficiente.
Plantar uma árvore, desde que seja forte, faz com que muitas das pessoas que passam por aí saibam ou tenham alguma lembrança de quem a plantou. Desde que você tenha sido alguém realmente importante ou famoso...
Imagens x Idéias. Quem quer ver fotos de um Zé Ninguém que viveu há vários anos atrás? Só pra antropólogo mesmo, e olha lá! As idéias sobrevivem. Escritas em um papel, mesmo que escondidas sobre uma prateleira empoeirada, por serem avançadas demais aos conhecimentos atuais ou pobres demais para despertar algum interesse. As idéias, mesmo que não escritas, são passadas por gerações deixando sempre vivo o seu autor.
O que temos pra deixar? Quem de nós seremos imortais? Quem de nós quer ser um imortal? Abdicar da rotina, da mesmisse, traçar objetivos e seguí-los. Mas não me venha com objetivos tão aventureiros quanto sair do aluguel ou comprar uma geladeira! Serei imortal porque um dia comprarei uma geladeira nova! Viva!
Quem está pronto pra morte? Ou pra imortalidade?
Quem já amou de verdade? Quem já esteve ao lado daquela pessoa que fosse sua, que lhe tirasse o fôlego ao vê-la todos os dias, depois de vários anos, como se fosse a primeira vez? Quem de nós passará por esse planeta com a consciência limpa de que deixará para sua prole um lugar melhor para se viver? Quem de nós amou e foi amado, assim como a natureza nos ama e nós deveríamos amá-la?
Alguém aí tem uma idéia de como se tornar imortal? Alguém me ensina a viver?

...


... explode, cobre o mundo com as cores e o brilho cega os olhos, mas ninguém jamais viu...

Ângelus

Angelus - Violins

É simples de ver se há um deus no espaço
mas eu procurei com os olhos descalços
e tudo se fez por inteiro em pedaços
talvez é o acaso que rege o mundo

E quem pode crer será sempre invejado
pois tem sempre alguém pra estar ao seu lado
e sente o alívio discreto dos laços
que prendem seus braços ao centro do mundo

Eu fiz de tudo e não consigo achar o seu sinal em mim
Me diz o que eu faço, se eu não posso te sentir

Então sem saber em quem me escorar
eu voltei a te chamar.

“Tristeza não tem fim, felicidade sim...”

Então, já que a felicidade sempre acaba, por quê escrever sobre ela? Vivemos em busca de uma coisa que sempre acaba. Se bem que a vida também acaba... Mas pra quê reprimir o sentimento mais duradouro que temos? Por que é tão alarmante cultuar aquilo que sempre nos persegue, aquilo que sempre encontramos?
“Um viva à insensatez!” Viva a melancolia! E por quê não: viva a nostalgia! Rir é bom. Mas chorar também o é! Fortes somos nós, que convivemos e enfrentamos a tristeza! A seleção natural (aquela de Darwin) cuida dos fracos: do alto de uma ponte, de cima de algum prédio, talvez uma dose ligeiramente cavalar de um remédio... sei lá... O que importa é que os fortes sobrevivem. E sobrevivem para afirmar que a “tristeza não tem fim”. E a felicidade? Bem, até onde eu me lembro, a felicidade sim...

A chuva em Prosa

A transparência do vidro me deixa ver uma cena bastante comum. Uma TV travada em replays. O sol vem, o sol se vai. A escuridão chega, mas depois vai embora. Os carros passam e a chuva cai. A chuva cai, descansa um pouco e volta a cair. As gotas de chuva se embarcam nessa aventura! Seria esse um bungee jump sem corda de segurança ou um suicídio coletivo? Talvez uma transformação, pois tão cedo ganham o chão elas podem ganhar a nobreza da terra ou o escárnio da enxurrada. Mas mesmo aquelas suicidas sortudas a ganharem a nobre terra, e surgirem para a vida em uma viva raiz, podem regar um corpo, a carne em decomposição e se equiparam com as azaradas que da enxurrada escorrem pelo esgoto.
A felicidade me invadiu por cair na terra! Porém, eu não sabia a carniça que me aguardava. Hoje minha companhia é esse corpo morto. O qual deixou muitas lembranças. Hoje minha companhia são lembranças mortas.
Seria a chuva um choro? De tristeza por algo perdido? Mas a vida não se acaba, ela se renova! E a chuva traz de volta a vida para as plantas. E o choro traz de volta a vida em uma lembrança... E as lembranças sim, mortas ou vivas, são eternas... Até a próxima morte...

A Chuva em Verso

A chuva chove sem parar,
A água se joga lah de cima,
Sem medo de se esborrachar,

A água escorre até o esgoto,
Por entre ratos e tecido morto,
Sem saber se vai chegar ao mar.

A água escorre pela terra,
Passa pelas raízes das plantas vivas
E pelos corpos a putrificar.

A chuva chove sem parar,
Suas gotas embarcam nessa aventura,
Sem medo de se esborrachar.

Como uma lágrima que sai dos olhos,
Que escorre por toda a face,
E cai no chão a desabar.

Os céus choram a sua ausência,
As nuvens celebram sua onipresença,
De alguém que se foi, pra nunca mais voltar...

E a chuva?
A chuva chove sem parar...

Vendedor de Rins

Violins
Vendedor de Rins

"É preso aqui feliz por mim
que eu te imploro pra esquecer
o tombo que eu te fiz cair
eu nunca quis te oferecer assim(...)
não que seja certo que seja assim
mas é a vida que eu herdei(...)

(...)Quando eu quis me consertar
alguém chegou pra me elogiar."

O Frio

Como é possível se admitir que átomos se juntem em moléculas para produzir uma lembrança? Como é admissível que das junções dessas moléculas resulte em uma célula que nos trás lembranças, pensamentos e até sentimentos escondidos em nós até momentos atrás? Momentos atrás que por um sentido qualquer desencadeou uma série de reações químicas que iniciam este ciclo. O amor, ódio, sofrimento e alegria nada mais são que reações químicas interpretadas de diferentes formas pelos tais neurônios.

Qual será a fórmula do amor? Ou seria melhor saber como se inibe a fórumla do amor? Como matar aqueles malditos neurônios que gravaram cenas que eu nunca mais queria ver? Frases que eu nunca mais queria escutar? Imagens que eu nunca mais quero imaginar...

Onde estão vocês neurônios? Aqueles do abraço inesquecível? Do beijo carinhoso? Das mais doces e suaves palavras? Da esperança de um céu azul, ar puro, campos verdes e água cristalina... Aonde é o fim do túnel? Aonde é o fundo do poço?

A Coalisão das Relações Interpessoais no Ântropo Sentimentalista

Imagem é tudo. Estilo é tudo. Opiniões alheias são tudo. Um tigre, dois tigres, três tigres. O sucesso adaptativo de um pavão se aplica ao homem. Um adorno que torna sua vida mais arriscada (mais chamativo aos predadores e que dificulta a fuga, no caso do pavão, é claro!) é o que garante seu sucesso reprodutivo. Dois mafagafinhos, mafagafeavam num ninho de mafagafinhos. A grandeza da vida é muito maior do que qualquer detalhe fútil. Mas a vida se torna fútil e sem valor sem tais detalhes. Sabia que o sabiá sabia assoviar? Só se ganha a vida vivendo. Só se perde a vida morrendo, embora muitas vezes a morte não seja uma derrota. E no War, sempre o empate favorece a defesa. E a defesa é a melhor derrota. She sells shells in the sea shore... Complicado isso...

Pensado muito e escrito pouco...

"Tenho pensado muito e escrito pouco. Chorando e rindo mais do que de costume. Tenho me sentido meio imbecil, implicando com meus defeitos e com meu trabalho. Tenho saudades dos amigos e de alguém que eu nunca fui nem poderia ser. Tenho sede de água sem cloro, sem essa droga de realidade que eles injetam goela abaixo pra me fazer engolir. Tenho raiva, medo e angústia e outros sentimentos que não me deixam ficar só. Mas quem teria um beijo morno, e que demore nos beijos para que meu rosto frio se aqueça com as coisinhas boas de se estar vivo. uma mulher senta e bebe a bebida que mais gosta. Os cidadãos comuns me olham e seus rostos são borrões de tinta lacrimosa sobre o reflexo da minha própria loucura. Lucidez é ser volátil e rápido como um predador covarde. quem me consola é porque não sabe da minha dor. É minha e ponto final. Mas não era disso que eu queria falar. Tenho certezas demais sobre o futuro, que não me deixam viver sem culpa. Tenho um mundo que é só meu e me sufoca de tantas coisas que não digo a ninguém. Falo demais, nada de importante. Será que amo alguém ou a ausência que verte em lágrimas soluçadas é apenas uma passagem? Sentir tudo isso doe, mais deve ser apenas uma passagem."

Thoughts I Had in Mind

Thoughts I Had in Mind

I will recall the seven days
that I walked on by
that little road
I could never find
I know now
You never lived, you hide...

Acho q o título dessa música (Thoughts I have in mind) tem muito a ver comigo...

E me pergunto: Why do you keep hiding away from me?
The street heats the urgency of sound
As you can see there's no one around

(The Smashing Pumpkins - 1979)

Início


Bem... pra começar, postarei aqui a letra de uma música do Violins (e eu adoro as letras desses caras, portanto serão comuns aqui!)...

Ok Ok - Violins


sobrou pra mim
a felicidade sempre ofende
mas tristeza demais cansa

bem, que se fodam os ofendidos!

então respira mais
que eu respiro mais
ok, ok