Lácio era um jardineiro dedicado, experiente. Cuidava de grandes jardins com roseiras, margaridas, dentes-de-leão, várias plantas ornamentais, sem esquecer, é claro, das Marias-Sem-Vergonhas. Lácio então assumiu um enorme jardim, que exigia sua dedicação exclusiva a ele. Quando chegou, se impressionou com uma coisa: haviam 3 roseiras em situações bem distintas. Uma estava bela, com rosas grandes e vistosas. Outra, estava razoável, não era aquele espetáculo, mas não podia-se dizer que estava mal cuidada. Porém a última estava em estado lastimável. O dono do jardim havia recomendado inclusive, que ele retirasse aquela roseira e plantasse uma nova. Lácio se recusou! Ele nunca desistiria daquela roseira.
Então Lácio pôs-se a trabalhar. Se dedicou bastante às suas roseiras. Adubava, regava, conversava com elas! Tratava-as com muito carinho. Só que interessantemente o jardineiro não adubava, nem regava a roseira mais fraca diferentemente da roseira mais vistosa. A roseira mediana, logo ficou bonita e vistosa como a outra. Porém, aquela mais fraca permaneceu assim por um longo tempo. Mas Lácio não desistia e não mudava o tratamento. Todos se admiravam com o cuidado que Lácio tinha por suas plantas.
Eis que um dia a roseira mais fraca respondeu! Nela brotaram muitas folhas verdes e surgiram vários botões florais que logo se desenvolveram em belas rosas. Pronto! Aquele era um jardim afortunado! Porém, justamente nessa semana Lácio recebera a notícia de que seu patrão havia vendido a casa, o novo dono se mudaria em um mês e Lácio não mais cuidaria daquelas roseiras as quais dedicou tanto carinho.
No mês que se seguiu, o último de Lácio com aquelas roseiras, sua dedicação era ainda maior para com elas. Ele trabalhou, adubou, regou, cuidou das suas roseiras como nunca havia feito. Lácio, que nunca desistira de nenhuma das suas plantas, as preparava para sua despedida. Queria deixá-las impecáveis. Queria entregá-las todo seu carinho, seu cuidado. Ele tinha consigo que aquela num era a ultima vez que veria suas roseiras, pois sempre que passasse por aquela rua, daria uma olhada através das grades do portão para conferir como estariam suas plantas.
No dia da entrega da casa ao novo dono, e o último dia de Lácio no jardim, muito intrigado, seu até então patrão o questionou: “Lácio, há um mês você sabe que não estará mais aqui. Que um novo proprietário tomará conta de tudo. Ninguém sabe o que será desse jardim, se ele o destruirá ou se ele o manterá. Mas mesmo assim você cuidou deste jardim como nunca! Você não desistiu em momento algum de qualquer planta! Porquê isso, Lácio?” E Lácio, sem muito pensar respondeu: “Não criamos nada nesse mundo para nós próprios. Tudo o que vem ao mundo, ao mundo pertence! Meu trabalho aqui é somente cuidar das coisas do mundo, da natureza, e entregá-las ao seu dono, o chefe maior. Ele sim sabe o que fazer com tudo. Eu não cuidei das flores para mim. Eu não cuidei das flores para você. Eu as criei, e cuidei com todo carinho para que elas conquistassem seu espaço!” E assim Lácio se foi...














